Acabei de ler: “Vamos acabar com esta crise. Já!” do Paul
Krugman.
Quero desde já notar que sempre gostei da vertente académica
do Krugman. A sua teoria gravitacional do comércio é elucidativa de como as
forças macroeconómicas moldam a organização humana.
Com a leitura deste livro, mantive e reforcei a minha
opinião sobre o autor. O mundo vive um período prolongado de recessão/estagnação do
crescimento anormal. É consequência da correção dos excessivo endividamento que
os vários agentes económicos contraíram ao longo da década de 2000. No entanto,
conforme um vídeo que publiquei em tempos (ver aqui), se todos tentarmos em conjunto corrigir estes
desequilíbrios, o que do ponto de vista isolado parece uma excelente ideia, quando
realizado em coletivo à escala global é, simplesmente, impossível de atingir.
Esta é para mim, a principal ideia do livro proferida pelo visionário macro que
é Krugman.
Quer isto dizer que o Governo Português deveria expandir os
seus gastos?
Na minha opinião, não. E Krugman também parece partilhar desta
opinião (ver página 197). Os
nossos desequilíbrios orçamentais devem ser corrigidos (a meu ver,
principalmente, por via do melhoramento das funções do estado, tornando-o mais
eficiente) mas os países com quasi-excedentes orçamentais ou que beneficiam de
taxas de juros baixíssimas, deviam estar a aumentar os seus gastos e a
impulsionar as suas economias.
Tal expansão económica nos países que podem (China – exemplo
do 1º grupo; EUA, Reino Unido e Alemanha – exemplos do 2º grupo) deviam
aumentar os gastos governamentais (preferencialmente em investimentos produtivos,
embora a simples baixa de impostos seja já de si benéfica) permitindo um
aumento da procura suficientemente grande que iria, por sua vez, aumentar o
consumo de bens dos países em dificuldades financeiras – Portugal, Espanha,
Itália, Irlanda e Grécia.
Esta é uma das soluções (aplicada à situação europeia) preconizada
por Krugman para voltarmos ao pleno emprego. Krugman apela ainda a um
experimentalismo Rooseveltiano, ou seja, estamos numa situação de tal forma
dramática ao nível do emprego que os governos e os bancos centrais não deveriam
parar de agir até que a situação esteja resolvida.
Para registo, ficam as outras soluções avançadas por Krugman
que me pareceram interessantes:
- Bancos Centrais devem permitir uma inflação mais elevada,
na ordem dos 3% a 4%, permitindo uma maior margem de manobra e uma
flexibilidade superior a futuros ajustamentos económicos bem como propiciar uma
melhoria no endividamento real dos agentes económicos;
- Nos EUA, os “bancos” Fannie Mae e Freddie Mac deveriam
renegociar as dívidas hipotecárias permitindo um aliviar dos juros dos devedores.
Recomendo a leitura a todas as pessoas
interessadas em resolver a atual situação em que vivemos. Está escrito de
maneira bastante simples por isso é acessível a quaisquer backgrounds
académicos.
P.S.: Fica o muito obrigado ao meu pai que me ofereceu o livro no Natal - alguns destes temas vão-se esquecendo pelo que relembrar e mantê-los presente na nosso pensamento é imprescindível.