5 de abril de 2011

Agências de rating e as self-fulfilling expectations

Como hei-de dizer, as agências de rating têm provado ser tão úteis à sociedade como uma lixeira. Tem apenas uma diferença, as lixeiras têm impactos apenas nas imediações...

Infelizmente, o modelo de regulamentação financeira assenta demasiado nas avaliações de risco destas agências.
Consequentemente, os intervenientes dos mercados financeiros internacionais fazem depender os seus investimentos destas notações externas (que se supõe isentas e idóneas).

Ora, o que mais me surpreende é o mundo se ter apercebido que a crise de 2008 foi causada, em parte, pelas agências de rating e, ter perdido a oportunidade de reformar, verdadeiramente, este modelo de regulamentação.
Não duvido que se tal tivesse ocorrido, os intervenientes dos mercados financeiros adaptariam as suas formas de investir e não mais se importariam com estas notações.

Agora, a Zona Euro, devido ao complexo das concepções anglo-saxónicas relativamente à forma de organização da economia europa continental, sofre com os downgrades dos seus membros mais frágeis: Portugal e Grécia. É certo que há muitos problemas nestas economias, mas pergunto se faz sentido que o rating da Grécia esteja abaixo do rating do Egipto. A este ritmo, mais duas semans e lá estaremos!

Devido a nada termos mudado na regulamentação no que respeita às agência de rating, os downgrades sucessivos da nossa república implica que os investidores percam a confiança no país. Tendo em conta que atingimos um endividamento elevado no combate à grave crise de 2008, um downgrade leva a maiores dificuldades de financiamento que levam a mais downgrades que levam a novas dificuldades de obtenção de financiamento.

É o exemplo clássico das self-fulfilling expectations mas no seu pior.

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