Na semana passada li um artigo de opinião muito bom, onde a Irlanda escrevia a Portugal alertando para o facto de estarmos a seguir todos os passos deles e, consequentemente, na iminência de solicitar ajuda externa (ver aqui - crédito ao Ricardo Lebres que me enviou o artigo).
As fontes de dificuldade das economias são distintas, mas é engraçado verificar o comportamento similar entre a classe política dos dois países.
No mesmo estilo, vou tentar prever o que acontecerá daqui a um ano tendo por base o modelo grego.
Eu sei, é difícil. Existe muita probabilidade de errar mas, afinal de contas, o mesmo acontece com as notações de rating e são levadas a sério ;)
Previsão para o espaço de tempo entre Jun.2011 e Abr.2012
Com a eleição do novo governo, serão anunciados défices esperados para 2011 muito acima do esperado.
O país ficará espantado mas todos os comentadores políticos estarão bastante confiantes que o novo governo tudo corrigirá.
Na prática, o FMI (ou o FEEF, a génese é a mesma) ditarão as políticas financeiras e o governo apenas dará a cara. Estas novas políticas de austeridade farão os PEC apresentados até agora parecer uma brincadeira de crianças.
Ora, austeridade pública num clima de dificuldade económica implica recessão. Recessão implica menos cobrança de impostos. Menos cobrança de impostos implica mais défice.
E depois?
Aí, os políticos, numa nova manobra quase circense, passam a referir que, em vez de termos de, respeitosamente, pagar as nossas obrigações (como ouvi até à exaustão hoje na RTP), não existe outra solução possível: é necessário renegociar a dívida.
Será? É esperar para ver.
UPDATE: Esta parece também ser a opinião de vários economistas, dos quais deixo aqui exemplo: Eichengreen, Rogoff, Economistas Alemães (carta aberta) e Ricardo Cabral - créditos a este último pelos links no The Portuguese Economy.
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