Ontem assiti à conferência relativa às agências de rating que tinha anunciado. Se estiveres interessado, podes assistir aqui (em diferido).
Foram abordados vários aspectos da actual dependência da legislação/regulamentação em relação às notações das agências de rating, por exemplo:
1. Determinação dos capitais mínimos para o sector bancário;
2. Os reguladores impõe que certos fundos de investimento (normalmente os maiores e mais importantes) apenas possam investir em produtos financeiros com um determinado rating mínimo;
3. Algumas emissões de obrigações por parte das empresas atribuem uma opção ao investidor de accionar um reembolso imediato quando o rating, que lhes está atribuído, se encontre abaixo de uma classificação mínima.
Ora, a lei Dodd-Frank tem por objectivo eliminar dependências do género dos exemplos 1 e 2.
No entanto, no decorrer da sessão, deu para perceber que ainda não existem ideias sólidas sobre como dar cumprimento às disposições da Lei Dodd-Frank.
Notei que os conferencistas estavam muito presos ao actual modelo assente nas agências de rating. Referiam que a existência de rating traz vantagens no sentido de que permite um entendimento geral do mercado face a determinado agente ou produto financeiro.
Não conseguia parar de pensar que este é exactamente um dos principais problemas dos ratings na medida em que os investidores deixam de realizar uma avaliação própria do agente ou produto financeiro em causa. Por isso, quando a opinião das agências é favorável, cria-se uma bolha de excesso de investimento/financiamento. Quando a opinião é adversa, pode cortar-se todo o financiamento. Imagine-se, até de um país!
Realço um ponto interessante da conferência: “os decisores políticos devem pensar qual a melhor forma de proteger o dinheiro dos contribuintes”. Será permitindo excessos/abusos de risco por parte dos bancos que, posteriormente, podem levar a intervenções estatais custosas justificadas na eliminação do risco sistémico; ou, por outro lado, devemos prejudicar a eficiência dos bancos, obrigando-os a internalizar a análise do risco associado a cada concessão de crédito ou produto de investimento e, desta forma tornando-os mais conscientes das suas decisões.
Mais tarde, desenvolvo as minhas ideias para que o mundo possa cumprir com a lei Dodd-Frank. Afinal de contas, não penso que seja assim tão prejudicial ao mundo financeiro viver conforme vivia antes de existirem as agências de rating.
Sem comentários:
Enviar um comentário