16 de maio de 2011

Dívida da Grécia

A discussão sobre a reestruturação da dívida grega deve ser seguida com especial interesse por Portugal.

Muitos têm indicado, inclusivé Olli Rehn, sobre o que aconteceu à Argentina quando fez uma reestruturação da dívida em desde 2001.

Esta reestruturação, ocorrida em 2005, foi feita de três formas: i) diminuição do montante em dívida; ii) diminuição dos juros pagos; e, iii) alargamento do prazo de pagamento.

Mas a entrada em incumprimento implicou uma crise financeira grave, a exclusão dos mercados financeiros internacionais, o fim do crédito, a desvalorização da moeda, cortes fiscais brutais e, consequentemente, o PIB argentino diminuiu severamente: 50% no primeiro ano. Tudo isto trouxe pobreza e forte instabilidade social.

Os únicos empréstimos aos quais a Argentina teve acesso foram de países “amigos”, como a Venezuela.

Aqui fiz um pequeno resumo de como a economia grega evoluiu durante um ano de ajuda externa do FMI e FEEF.

A Grécia é uma economia com uma dívida pública de 157,7%, segundo estimativa do Eurostat para 2011. Facto: Apenas uma economia com dívida pública acima de 150% do PIB conseguiu reduzí-la para níveis sustentáveis sem recurso à reestruturação – o Reino Unido no início do séc XX, no auge do seu império.

Existem 3 formas da Grécia pagar a sua dívida: a) com crescimento económico; b) com inflação; ou, c) reestruturando a dívida.

Já vimos que a primeira hipótese, não sendo impossível, será difícil, principalmente com as fortes medidas de austeridade a serem impostas. A segunda hipótese é impossível porque a Grécia não tem moeda própria. Logo, restará a reestruturação.

Após se já ter diminuído a taxa de juro cobrada pelo FEEF à Grécia em 1 ponto percentual, Olli Rehn vem hoje dizer que se poderá alargar os prazos de pagamento da dívida. Começa-se, finalmente, a abrir a porta à reestruturação.

Esperemos que estes factos tenham reflexo nas condições financeiras impostas a Portugal.

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