10 de junho de 2013

“As contas politicamente incorretas da economia portuguesa” - Livro de Ricardo Arroja

Na minha opinião esta é a principal conclusão do livro:

- Apenas sob o governo de Marquês de Pombal e de Salazar, Portugal conseguiu atingir significativo desenvolvimento económico.

Considero um facto curioso por ser aparentemente paradoxal. Ambos se caracterizaram por serem ditadores politicamente exclusivos (não aceitavam oposição) mas economicamente inclusivos (permitiam ao setor privado realizar investimento, protegendo-o da concorrência externa durante a sua fase embrionária).

Relativamente à parte económica, talvez esta seja a característica que falhou em Portugal nas últimas décadas: a capacidade de permitir/incentivar o investimento privado nacional. No meu entender, as políticas europeias criaram incentivos perversos que implicaram o abandono do investimento nos setores produtivos em detrimento do consumo interno implicando um aumento da importação. O desequilíbrio da balança corrente, por conseguinte, levou à inevitável falência do país.


Outras conclusões do autor com as quais concordo:

- A Justiça em Portugal é dos principais entraves ao desenvolvimento de negócios, logo ao crescimento económico;

- A natureza leonina de alguns contratos de PPP legitimam uma renegociação forte a favor do Estado;
- Sem transferências fiscais dentro da União Europeia a favor de Portugal, teremos de equacionar a moeda única (voltar a ter moeda própria) e/ou o mercado único (imposição de pauta aduaneira própria).


Números que me impressionaram:

- Custo com o ensino superior público é de 8.000 euros por aluno – por isso todos os que não aproveitam devidamente a oportunidade de estudar na Universidade deveriam ser penalizados;

- Valor atualizado dos encargos brutos com PPP até 2051 é de 26mM euros.


Para terminar, fica uma citação do livro que achei engraçada:

“As crises creditícias têm sido um fenómeno recorrente ao longo dos séculos, e desde sempre a História tratou de lhes dar um destino: o incumprimento.”


P.S.: Fica o meu obrigado à Rute e ao Joaquim por me terem oferido este livro nos meus anos que muito gostei de ler!

Sem comentários:

Enviar um comentário