14 de setembro de 2011

Isto não está bonito…


A Grécia vai entrar em incumprimento.

Merkel e Sarkozy estão agora a falar com Papandreou, talvez, para ultimar os pormenores de como será feito o incumprimento. Pelos vistos, continuarão na zona euro.

Os bancos europeus, maioritariamente os franceses e alemães, detêm valores impressionantes de dívidas dos estados europeus.

Estas dívidas são cotadas nos balanços dos bancos pelo valor original de compra. Ao contrário das carteiras de acções que são reavaliadas ao preço de mercado todos os dias, reconhecendo as perdas ou ganhos, em relação às dívidas dos estados, apenas quando um país entrar em incumprimento é que os bancos têm de reconhecer a variação do seu valor nos resultados do balanço.

Mal a Grécia entre em incumprimento, assumindo uma desvalorização da dívida de 50-60%, o mercado estima este montante, alguns bancos pequenos podem entrar em dificuldade. No entanto, os maiores não terão perdas significativas.

Agora se Portugal e Irlanda seguirem o mesmo caminho, os mercados, ajudados pelas agências de rating, vão especular que outros países frágeis irão também entrar em dificuldades. Logo, estas expectativas serão self-fulfilling e, por isso, imagine-se a Espanha ou a Itália entram também em incumprimento.

Basta um destes países. Os bancos europeus entrariam em falência. Aí seria preciso os seus estados entrarem no capital dos bancos.

Há um ligeiro problema: os grandes bancos europeus são demasiado grandes para serem salvos! Por exemplo, o sistema financeiro francês é 4x o seu PIB.


Por isso quando o José Manuel Barroso diz:
“O sucesso de Portugal não depende apenas de si próprio, mas também do comportamento dos outros países em dificuldade.”,
o que deve ser lido é:
“Espanha ou Itália apenas se safam se os actuais países intervencionados mostrarem que estão a ter sucesso na redução do défice e da dívida pública.”

Só assim se compreende a comunicação da comissão de hoje onde decidiu o seguinte para os empréstimos a Portugal e Irlanda:
- Eliminação do spread de juro relativo ao empréstimo feito pelo FEEF a Portugal, com efeitos retroactivos.
- Duplicação do prazo de pagamento deste empréstimo, i.e., dos actuais 15 para 30 anos.

O medo instalou-se nos gabinetes de Merkel, Sarkozy e Barroso.
É como eu explico esta súbita solidariedade europeia.

O engraçado é que, por sermos o elo mais fraco, o futuro da Zona-Euro está agora nas nossas mãos (e dos Irlandeses).

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