A Grécia vai entrar em incumprimento.
Merkel e Sarkozy estão agora a falar com Papandreou,
talvez, para ultimar os pormenores de como será feito o incumprimento. Pelos vistos, continuarão na zona euro.
Os bancos europeus, maioritariamente os franceses e alemães,
detêm valores impressionantes de dívidas dos estados europeus.
Estas dívidas são cotadas nos balanços dos bancos pelo valor
original de compra. Ao contrário das carteiras de acções que são reavaliadas ao
preço de mercado todos os dias, reconhecendo as perdas ou ganhos, em relação às
dívidas dos estados, apenas quando um país entrar em incumprimento é que os
bancos têm de reconhecer a variação do seu valor nos resultados do balanço.
Mal a Grécia entre em incumprimento, assumindo uma desvalorização
da dívida de 50-60%, o mercado estima este montante, alguns bancos pequenos podem
entrar em dificuldade. No entanto, os maiores não terão perdas significativas.
Agora se Portugal e Irlanda seguirem o mesmo caminho, os
mercados, ajudados pelas agências de rating, vão especular que outros países frágeis
irão também entrar em dificuldades. Logo, estas expectativas serão self-fulfilling e, por isso, imagine-se a Espanha ou a Itália entram também em
incumprimento.
Basta um destes países. Os bancos europeus entrariam em falência.
Aí seria preciso os seus estados entrarem no capital dos bancos.
Há um ligeiro problema: os grandes bancos europeus são
demasiado grandes para serem salvos! Por exemplo, o sistema financeiro francês é 4x o seu PIB.
Por isso quando o José Manuel Barroso diz:
“O sucesso de Portugal não depende apenas de si próprio, mas
também do comportamento dos outros países em dificuldade.”,
o que deve ser lido é:
“Espanha ou Itália apenas se safam se os actuais países
intervencionados mostrarem que estão a ter sucesso na redução do défice e da dívida
pública.”
Só assim se compreende a comunicação da comissão de hoje
onde decidiu o seguinte para os empréstimos a Portugal e Irlanda:
- Eliminação do spread de juro relativo ao empréstimo feito
pelo FEEF a Portugal, com efeitos retroactivos.
- Duplicação do prazo de pagamento deste empréstimo, i.e.,
dos actuais 15 para 30 anos.
O medo instalou-se nos gabinetes de Merkel, Sarkozy e Barroso.
É como eu explico esta súbita solidariedade europeia.
O engraçado é que, por sermos o elo mais fraco, o futuro da Zona-Euro está agora nas nossas mãos (e dos Irlandeses).
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