10 de setembro de 2011

Manifesto Comunista - Karl Marx


Terminei o Manifesto Comunista de Karl Marx (1848) (clicar para download).

Continua a espantar-me o facto de livros escritos há mais de um século, este foi publicado em 1848, conseguirem descrever o estado actual da sociedade.

Se tiverem a oportunidade, dêem uma leitura ao Primeiro Capítulo – Burguesia e Proletariado. Tomando Burguesia por Neoliberais ou defensores da liberdade de mercado, a descrição de Marx é em tudo similar ao actual status quo existente no Mundo. Desde a divisão de riqueza entre classes sociais, à tendência de exploração dos trabalhadores que o mercado sem qualquer regulação irremediavelmente acarreta, Marx parece que vive nos dias de hoje.

Estava expectante para perceber como Marx analisaria a falha ideológica na doutrina Comunista:
O fim da propriedade privada implica o desaparecimento dos incentivos a trabalhar e, consequentemente, condena um país ao definhamento económico.

A verdade é que Marx desconsidera estas acusações com uma análise bastante superficial indicando que, se tal fosse verdade, uma “bourgeois society ought long ago to have gone to the dogs through sheer idleness; for those of its members who work acquire nothing, and those who acquire anything do not work”.

Marx não estava a tomar em consideração o facto de, por muito pouco que um homem ganhe, isso é sempre um incentivo a trabalhar. Se, pelo contrário, caso um indivíduo trabalhe ou não, lhe for dado sustento, este perde a necessidade de trabalhar. Os níveis de produtividade caem e a economia entra numa lenta e irremediável recessão.
Mais tarde, a URSS viria a comprovar esta falha ideológica.

O livro termina elencando várias formas de comunismo, as quais Marx considera serem formas menores ou sem capacidade de realização. Defende que a única maneira de impor os ideais comunistas é através da revolução do Proletariado via sistema político, terminando o livro com: “Workingmen of all countries, unite!

Em suma, gostei bastante. Acho uma peça importante na reflexão sobre a nossa forma actual de organização social.

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