Terminei o Manifesto Comunista de Karl Marx (1848) (clicar para download).
Continua a espantar-me o facto de livros escritos há mais de
um século, este foi publicado em 1848, conseguirem descrever o estado actual da
sociedade.
Se tiverem a oportunidade, dêem uma leitura ao Primeiro Capítulo
– Burguesia e Proletariado. Tomando Burguesia por Neoliberais ou defensores da
liberdade de mercado, a descrição de Marx é em tudo similar ao actual status
quo existente no Mundo. Desde a divisão de riqueza entre classes sociais, à
tendência de exploração dos trabalhadores que o mercado sem qualquer regulação irremediavelmente
acarreta, Marx parece que vive nos dias de hoje.
Estava expectante para perceber como Marx analisaria a falha
ideológica na doutrina Comunista:
O fim da propriedade privada implica o desaparecimento dos incentivos
a trabalhar e, consequentemente, condena um país ao definhamento económico.
A verdade é
que Marx desconsidera estas acusações com uma análise bastante superficial indicando
que, se tal fosse verdade, uma “bourgeois society ought long ago to have gone
to the dogs through sheer idleness; for those of its members who work acquire
nothing, and those who acquire anything do not work”.
Marx não estava a tomar em consideração o facto de, por
muito pouco que um homem ganhe, isso é sempre um incentivo a trabalhar. Se,
pelo contrário, caso um indivíduo trabalhe ou não, lhe for dado sustento, este perde
a necessidade de trabalhar. Os níveis de produtividade caem e a economia entra
numa lenta e irremediável recessão.
Mais tarde, a URSS viria a comprovar esta falha ideológica.
O livro termina elencando várias formas de comunismo, as
quais Marx considera serem formas menores ou sem capacidade de realização. Defende
que a única maneira de impor os ideais comunistas é através da revolução do
Proletariado via sistema político, terminando o livro com: “Workingmen of all
countries, unite!”
Em suma, gostei bastante. Acho uma peça importante na reflexão
sobre a nossa forma actual de organização social.
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