18 de agosto de 2017

Opinião

Atualmente é comum algumas pessoas justificarem a não possibilidade de atacar uma afirmação qualquer como sendo uma opinião. Eu notei mais este tipo de estratégia usado de início pela administração Trump mas agora vejo também em inúmeros comentários no Facebook ou a qualquer notícia de jornal.
Acho este tipo de pensamento muito retrógrado.
Luís de Sousa, no livro Corrupção da coleção da FFMS, refere "... não se reconhece a nenhuma autoridade terrena ou transcendental o direito de ajuizar do pensamento livre de um homem".
Eu concordo com esta expressão até ao ponto em que tal pensamento livre não foi claramente demostrado errado.

Por exemplo, pode-se ter a opinião de que é o sol que anda à volta da terra mas está claramente errado. Não me digam que não posso atacar essa afirmação só porque é uma opinião!

O mesmo se aplica à opinião das vacinas causarem autismo ou das alterações climatéricas estarem a acontecer a um ritmo extremamente rápido e a ação humana não estar minimamente ligada a isso.
No passado as pessoas estudavam os temas, verificavam os factos e se não o fizessem remetiam-se ao silêncio. Agora há quem não tenha qualquer pudor em concluir algo e expressar essa CRENÇA como sendo uma opinião e, como tal, inatacável.

Perdoem-me mas quando já estiver provado pela ciência, vou continuar a dizer que estão errados por muito que pensem que têm direito à vossa crença.

13 de março de 2017

Um país, dois sistemas...

É comum ouvir-se que o país está desequilibrado.
Que o interior está desprotegido, em especial, na área da saúde.
Porquê?
Perpetua-se o tratamento diferenciado em relação aos médicos sem que haja coragem de pôr cobro a uma situação iníqua.
Desde o final da década de 70 que é notícia a movimentação de professores aquando da colocação para a abertura do ano escolar.
Se querem manter-se ligados ao sistema e habilitar-se à entrada nos quadros, os professores devem apresentar-se a concurso e aceitar a colocação.
Ao serviço de um bem maior, a educação.
No seu interesse, a perspectiva de uma carreira profissional.
Por que não ocorre o mesmo com os médicos?
Terminam os cursos, têm estágio-formação garantido e pago pelo Estado (todos nós!!!).
Por que ficam desertos os concursos apesar dos incentivos criados?
Por que se admite a permanência nos serviços públicos a quem não se apresenta a concurso?
São muitas as perguntas!
Respostas? Apenas o encolher de ombros...
Até quando?

18 de fevereiro de 2017

Transparência nas organizações

Atenção que demais também pode trazer efeitos indesejados:
1. Publicar o salário e bónus de todos os trabalhadores pode suscitar sentimentos de inveja, revolta, etc - mesmo quando o sistema é anunciado antecipadamente. Por exemplo, o mais bem pago pode ser acusado de apenas ter sorte...
2. Pedir contributos de todos nas decisões pode implicar atrasos significativos na tomada de decisão. Logo, os temas sujeitos a esta política aberta de decisão devem ser cuidadosamente selecionados.
3. Permitir, em processos criativos, um acompanhamento próximo do que está a ser pensado pode impedir pensar na melhor solução já que as pessoas criativas poderão começar a impor auto-censura.

Eu achei muito interessante!

Para mais, ver aqui.

5 de fevereiro de 2015

A caixa de Pandora!

"Se se humilha uma nação orgulhosa durante tempo de mais, submetendo-a aos problemas de uma crise de deflação, sem luz ao fundo do túnel então as coisas podem começar a ferver”. Varoufakis, ministro das finanças da Grécia.

26 de janeiro de 2015

E agora!!!???

Quiseram impor-lhes a "nova ordem".
Quiseram impor-lhes o sentido do voto.
Quiseram condicionar o futuro de um povo.
Eis a resposta!
Um povo decide o caminho que quer trilhar.
A Democracia é isto mesmo.
E não o que possa ser conveniente a uns quantos.
Ontem a dignidade de um povo fez-se ouvir.
Perceberam que a cura é pior que a doença.
E ousaram!
Escolheram outros protagonistas em busca de novas soluções.
Ao contrário do que alguns por aí vão perorando, esta não será uma vitória de Pirro.
Citando José Régio:
"Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou.
Sei que não vou por aí!"

6 de junho de 2014

Evangelizadores dos tempos modernos

Ontem e hoje fiz uma formação sobre técnicas de negociação. A formadora explicou a melhor forma de conduzir reuniões e de lidar com colegas de trabalho ou de negócio.

As diretrizes podem resumir-se ao seguinte:
- Ser calmo, assertivo e demonstrar os nossos argumentos de forma clara e precisa.
- Caso tenhamos ouvido alguma reputação sobre o nosso interlocutor, devemos sempre manter uma postura sem preconceitos.

- Caso o nosso interlocutor se exalte, devemos ouvi-lo sem reagir e tentar trazê-lo à razão.
- Não devemos ficar intimidados nem magoados com o tratamento que os outros nos dão.
- A negociação deve ser correta e chegar ao melhor resultado para ambos no sentido de criar relações duradouras ou construir uma reputação.

A dada altura estava a fazer a analogia de que estes conhecimentos seriam aqueles que, até certo ponto, a religião difundia: respeito pelo outro, dar a outra face, perdoar, etc. Sendo assim, estes formadores de Recursos Humanos são os evangelizadores dos tempos modernos.

19 de junho de 2013

Revolta no Brasil...

Ou para a roubalheira
Ou paramos o Brasil!

... lia-se num cartaz na manifestação de ontem, em São Paulo.
Em Portugal, temos

BPN - BPP - BANIF - PPP - SWAP

O vulcão continua adormecido.
Até quando???

10 de junho de 2013

“As contas politicamente incorretas da economia portuguesa” - Livro de Ricardo Arroja

Na minha opinião esta é a principal conclusão do livro:

- Apenas sob o governo de Marquês de Pombal e de Salazar, Portugal conseguiu atingir significativo desenvolvimento económico.

Considero um facto curioso por ser aparentemente paradoxal. Ambos se caracterizaram por serem ditadores politicamente exclusivos (não aceitavam oposição) mas economicamente inclusivos (permitiam ao setor privado realizar investimento, protegendo-o da concorrência externa durante a sua fase embrionária).

Relativamente à parte económica, talvez esta seja a característica que falhou em Portugal nas últimas décadas: a capacidade de permitir/incentivar o investimento privado nacional. No meu entender, as políticas europeias criaram incentivos perversos que implicaram o abandono do investimento nos setores produtivos em detrimento do consumo interno implicando um aumento da importação. O desequilíbrio da balança corrente, por conseguinte, levou à inevitável falência do país.


Outras conclusões do autor com as quais concordo:

- A Justiça em Portugal é dos principais entraves ao desenvolvimento de negócios, logo ao crescimento económico;

- A natureza leonina de alguns contratos de PPP legitimam uma renegociação forte a favor do Estado;
- Sem transferências fiscais dentro da União Europeia a favor de Portugal, teremos de equacionar a moeda única (voltar a ter moeda própria) e/ou o mercado único (imposição de pauta aduaneira própria).


Números que me impressionaram:

- Custo com o ensino superior público é de 8.000 euros por aluno – por isso todos os que não aproveitam devidamente a oportunidade de estudar na Universidade deveriam ser penalizados;

- Valor atualizado dos encargos brutos com PPP até 2051 é de 26mM euros.


Para terminar, fica uma citação do livro que achei engraçada:

“As crises creditícias têm sido um fenómeno recorrente ao longo dos séculos, e desde sempre a História tratou de lhes dar um destino: o incumprimento.”


P.S.: Fica o meu obrigado à Rute e ao Joaquim por me terem oferido este livro nos meus anos que muito gostei de ler!