28 de maio de 2011

Relação entre Motivação e Remuneração

Hoje caí da cama e tive a sorte de ligar a SIC Radical. Vi no TED Talks uma apresentação que me surpreendeu bastante! Não deixes de ver por ser um vídeo enorme. Vê os primeiros 5 min e, se não gostares, fechas:

http://www.youtube.com/watch?v=rrkrvAUbU9Y

É defendido que a remuneração variável (por ex.: bónus de desempenho) limita o pensamento das pessoas para a obtenção de soluções rápidas. No entanto, para muitos dos problemas de hoje, onde é necessário criar uma solução nada óbvia, este tipo de incentivo apenas prejudica a nossa capacidade de raciocínio e faz-nos trabalhar pior.

Conclusão: as pessoas que têm de realizar trabalhos criativos têm de ter uma boa remuneração fixa para que o dinheiro deixe de ser um problema. Para as motivar será pela autonomia que lhes é dada e pelo poder entregue na tomada de decisões. Prometer-lhes um bónus para inventarem qualquer coisa, apenas vai fazer com que demorem mais tempo (vejam o exemplo dado no vídeo a partir dos 16min).

Parece um paradoxo, mas está comprovado pela ciência!

Reflexões:
Será que um administrador de um banco não deve sequer ter direito a remuneração variável?

Será que a existência de bónus gigantes para os administradores dos principais bancos dos EUA lhes toldou o raciocínio na obtenção de lucros de curto prazo e prejudicou uma gestão "sã e prudente" das instituições que geriam?

19 de maio de 2011

Cenários para a Grécia

Gráfico brutal sobre as probabilidades de cenários para a situação da Grécia:
http://www.ritholtz.com/blog/wp-content/uploads/2011/05/greecescenarios.jpg


Crédito ao The Big Picture.

Empreendedorismo Português

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=485431


Isto faz-me pensar o porquê de, repetidamente, apontarem para os trabalhadores portugueses como o mal de não termos empresas competitivas…

Existem pessoas improdutivas, todos nós sabemos. O funcionalismo público é quase uma doença persistente que se propaga para as novas gerações de contratados do estado.

No entanto, no sector privado, trabalha-se a sério (ver estatísticas do link). Quem não é produtivo, ou é encostado – sem promoções – à espera da idade da reforma, ou é despedido.

Acredito que a fraca acumulação de capital tanto físico (i.e. máquinas produtivas mais eficientes, melhores programas de controlo de stocks, etc), como humano (i.e. capacidades de formação on-the-job para os novos trabalhadores, capacidade de liderança e organização, etc), é a verdadeira razão de sermos pouco competitivos.

Talvez o que necessitamos é de alargar os horizontes da nossa classe de empresários para lhes incutirmos a ambição e menos vontade de concretizar o lucro rápido sem investir no futuro. Desta forma conseguiríamos trazer maior capacidade de crescimento às empresas e, por conseguinte, maior bem-estar a todos nós!

Afinal de contas, os trabalhadores portugueses no estrangeiro são reconhecidos como dos melhores. Haja quem os dirija e os motive.

17 de maio de 2011

Plano Nacional de Formação Financeira

Foram hoje comunicadas as linhas de orientação do plano nacional de formação financeira a cargo do Banco de Portugal, CMVM e Instituto de Seguros de Portugal.

"À semelhança das melhores práticas internacionais, este Plano tem como missão contribuir para elevar o nível de conhecimentos financeiros da população e promover a adopção de comportamentos financeiros adequados e, assim, melhor responder às exigências colocadas pela maior complexidade e diversidade dos produtos financeiros disponibilizados no mercado e pela necessidade de maior responsabilidade financeira individual."

Mais aqui e aqui.

16 de maio de 2011

Dívida da Grécia

A discussão sobre a reestruturação da dívida grega deve ser seguida com especial interesse por Portugal.

Muitos têm indicado, inclusivé Olli Rehn, sobre o que aconteceu à Argentina quando fez uma reestruturação da dívida em desde 2001.

Esta reestruturação, ocorrida em 2005, foi feita de três formas: i) diminuição do montante em dívida; ii) diminuição dos juros pagos; e, iii) alargamento do prazo de pagamento.

Mas a entrada em incumprimento implicou uma crise financeira grave, a exclusão dos mercados financeiros internacionais, o fim do crédito, a desvalorização da moeda, cortes fiscais brutais e, consequentemente, o PIB argentino diminuiu severamente: 50% no primeiro ano. Tudo isto trouxe pobreza e forte instabilidade social.

Os únicos empréstimos aos quais a Argentina teve acesso foram de países “amigos”, como a Venezuela.

Aqui fiz um pequeno resumo de como a economia grega evoluiu durante um ano de ajuda externa do FMI e FEEF.

A Grécia é uma economia com uma dívida pública de 157,7%, segundo estimativa do Eurostat para 2011. Facto: Apenas uma economia com dívida pública acima de 150% do PIB conseguiu reduzí-la para níveis sustentáveis sem recurso à reestruturação – o Reino Unido no início do séc XX, no auge do seu império.

Existem 3 formas da Grécia pagar a sua dívida: a) com crescimento económico; b) com inflação; ou, c) reestruturando a dívida.

Já vimos que a primeira hipótese, não sendo impossível, será difícil, principalmente com as fortes medidas de austeridade a serem impostas. A segunda hipótese é impossível porque a Grécia não tem moeda própria. Logo, restará a reestruturação.

Após se já ter diminuído a taxa de juro cobrada pelo FEEF à Grécia em 1 ponto percentual, Olli Rehn vem hoje dizer que se poderá alargar os prazos de pagamento da dívida. Começa-se, finalmente, a abrir a porta à reestruturação.

Esperemos que estes factos tenham reflexo nas condições financeiras impostas a Portugal.

10 de maio de 2011

Taxa de juro da assistência financeira

Taxas de juro cobradas pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira nos planos de resgate:

Grécia: 4,5%

Irlanda: 5,8%

Portugal: "A taxa de juro será acima de 5,5% mas claramente abaixo de 6%", afirmou Olli Rehn – Comissário do Euro.

Esta taxa comparará com a taxa de juro do FMI para o empréstimo a PT entre 3,5% e 4,5%.

Para além de demonstrar uma formulação sádica na apresentação da taxa de juro, onde pára a solidariedade europeia para com os menos fortes?

Sr. Presidente da República, ainda bem que quem nos ajuda é o FEEF e não o FMI! lol (à lá faceleaks)

5 de maio de 2011

Propostas da Troika para o Mercado de Trabalho

Ontem li parte do programa / memorandum da Troika.

Gostei de algumas medidas, principalmente as relacionadas com a lei das falências e da aceleração judicial dos processos de cobrança de dívida e de devolução de impostos.

No entanto, gostaria de comentar as propostas relativas ao mercado de trabalho que me levantam as maiores preocupações.

É um facto que actualmente os trabalhadores têm um conjunto de direitos consagrados nos seus contratos que os blindam, de forma efectiva, do despedimento. Logo, o mercado está enviesado para os mais velhos (+ de 45 anos), o que implica desemprego jovem.

Com as propostas da Troika (não indico todas) teremos:

- Despedimento por não atingir objectivos será considerado “por justa causa”;

- Despedir será mais barato;

- Subsídio de desemprego será concedido por menos tempo (18 meses);

- Subsídio de desemprego diminui ao longo do tempo;

- Diminuição do valor pago por horas extra.

Tendo em conta que as pessoas mais novas têm mais energia, estão melhor preparadas / têm mais conhecimentos teóricos que a geração mais velha e, até, mais motivação, visto quererem provar o que valem. Com as referidas propostas, haverá um incentivo para substituir os trabalhadores mais velhos pelos mais novos. Ou seja, o mercado ficará enviesado para os mais novos.

Excelente! Poder-se-á pensar. Assim os jovens são mais produtivos, o PIB cresce e ficamos todos melhores.

Será?

De facto o PIB irá crescer. Mas, com elevado desemprego, os salários não terão tendência para subir e, por conseguinte, o aumento de riqueza no curto prazo será ao nível dos lucros das empresas. O que os empresários fizerem com estes lucros ditará o sucesso destas reformas. Acredito ser este o pensamento por trás destas medidas da Troika.

Mas daqui surge a minha preocupação.

A maior parte dos detentores das grandes empresas em Portugal é estrangeiro. Basta olhar para a estrutura accionista das empresas do PSI-20 às quais se pode acrescentar a Auto-Europa (Volksvagen), só para dar exemplos. Logo, estes accionistas não têm qualquer tendência nacionalista de reinvestir no país. Apenas o farão se este lhe proporcionar mais lucros que noutro local do mundo.

Os empresários nacionais, essencialmente detentores de pequenas e médias empresas, quando têm lucros, preferem comprar o seu Porsche ou a sua casa em Vilamoura a fazer reinvestimentos. Para mostrar o meu ponto de vista, verifique-se as razões de termos tanto desemprego no Vale do Ave. Infelizmente esta tem sido a nossa sina.

Ora, se os lucros não forem reinvestidos em Portugal, na criação de emprego para os mais velhos, estes, ao final de 18 meses, ficam sem qualquer fonte de rendimento até à sua reforma, a 10 a 15 anos de distância. Como o estado tem de diminuir os seus custos de apoio social para controlar o défice, quem os terá de manter serão os seus filhos (que entretanto conseguiram emprego!). Nem quero pensar os efeitos colaterais que adviriam por termos uma pirâmide etária invertida - 1 filho a sustentar os 2 pais…

No entanto, penso que devemos ser confiantes. Temos de aproveitar esta oportunidade para conseguirmos levantar o país. Resta-nos esperar que o comportamento passado dos nossos empresários, desta vez, seja diferente.