Aventura - s. f. 1.Feito extraordinário; 2.Caso inesperado que sobrevém e que merece ser relatado; 3.Acaso
25 de abril de 2011
25 de Abril Sempre!
Foi conseguida com coragem e determinação de alguns homens. Conseguiram transportar a voz de todo um povo que depois se lhes juntou no derrubar da ditadura.
Um desses Grandes foi Salgueiro Maia!
Por conversa fiquei a saber o que passo a citar:
"Em 1988, [Salgueiro Maia] solicitou ao governo uma pensão "por serviços excepcionais prestados ao país". O pedido recebeu apreciação positiva - e até obrigatória - do conselho consultivo da PGR que, em Junho de 1989, por unanimidade, declarou que "muito do êxito da revolução se ficou a dever ao comportamento valoroso daquele que foi apodado de Grande Operacional do 25 de Abril".
O parecer enviado a Cavaco Silva e Miguel Cadilhe, então primeiro-ministro e ministro das Finanças, respectivamente, ficou amarrado a um silêncio que durou três anos. Em 1992, a recusa é revelada porque se fica a saber que Cavaco Silva "tinha concedido pensões por serviços relevantes prestados ao país" a dois inspectores da PIDE. Um deles estava entre os que fizeram fogo sobre a multidão que estava na rua António Maria Cardoso - causando os únicos mortos da revolução."
Mais uma amostra dos políticos que governam este país.
Para ler a notícia toda, ver aqui.
19 de abril de 2011
Volcker, o Mestre
"Markets are absolutely indispensable, but I don't think they're God".
Vale a pena pensar nisto!
18 de abril de 2011
Maquiavel – O Príncipe
Em “O Príncipe”, Maquiavel descreve como um Príncipe (ou Rei) pode chegar a regente e, posteriormente, manter o governo do seu reino, aumentando o seu território e a sua influência sobre os vizinhos. Esta edição tem um interesse adicional contendo anotações de Napoleão Bonaparte, himself!
Maquiavel descreve bem o espírito humano no que toca à ambição, identificando várias estratégias possíveis para atingir os objectivos. Fazendo as devidas metáforas, esta obra torna-se intemporal e aplicável às mais diversas situações: actos de decisão política, relações profissionais no comando de equipas e, imagine-se, até à convivência com amigos.
Um livro fascinante!
P.S.: Só as metáforas do próprio Maquiavel são, por vezes, inconvenientes. Aí vai uma que não consegui evitar de citar.
«Concluo, portanto, que, sendo a fortuna mutável e mantendo-se os homens fiéis à sua natureza, são felizes enquanto uma e outra se acomodarem e infelizes assim que deixarem de se conciliar. Além disso, sou de parecer de que é melhor ser ousado do que prudente, pois a fortuna é mulher e, para a conservar submissa, é necessário bater-lhe e contrariá-la. Vê-se, não raro, que prefere deixar-se vencer pelos ousados do que pelos que procedem friamente. Por isso é sempre amiga dos jovens, como mulher, visto eles terem menos respeito e mais ferocidade e subjagarem-na com mais audácia.»
15 de abril de 2011
Diversão de sexta-feira - Política no facebook
13 de abril de 2011
Stiglitz sobre desigualdade económica nos EUA
http://www.ritholtz.com/blog/2011/04/video-of-the-1-by-the-1-for-the-1/
Webinar agências de Rating - Resumo
Ontem assiti à conferência relativa às agências de rating que tinha anunciado. Se estiveres interessado, podes assistir aqui (em diferido).
Foram abordados vários aspectos da actual dependência da legislação/regulamentação em relação às notações das agências de rating, por exemplo:
1. Determinação dos capitais mínimos para o sector bancário;
2. Os reguladores impõe que certos fundos de investimento (normalmente os maiores e mais importantes) apenas possam investir em produtos financeiros com um determinado rating mínimo;
3. Algumas emissões de obrigações por parte das empresas atribuem uma opção ao investidor de accionar um reembolso imediato quando o rating, que lhes está atribuído, se encontre abaixo de uma classificação mínima.
Ora, a lei Dodd-Frank tem por objectivo eliminar dependências do género dos exemplos 1 e 2.
No entanto, no decorrer da sessão, deu para perceber que ainda não existem ideias sólidas sobre como dar cumprimento às disposições da Lei Dodd-Frank.
Notei que os conferencistas estavam muito presos ao actual modelo assente nas agências de rating. Referiam que a existência de rating traz vantagens no sentido de que permite um entendimento geral do mercado face a determinado agente ou produto financeiro.
Não conseguia parar de pensar que este é exactamente um dos principais problemas dos ratings na medida em que os investidores deixam de realizar uma avaliação própria do agente ou produto financeiro em causa. Por isso, quando a opinião das agências é favorável, cria-se uma bolha de excesso de investimento/financiamento. Quando a opinião é adversa, pode cortar-se todo o financiamento. Imagine-se, até de um país!
Realço um ponto interessante da conferência: “os decisores políticos devem pensar qual a melhor forma de proteger o dinheiro dos contribuintes”. Será permitindo excessos/abusos de risco por parte dos bancos que, posteriormente, podem levar a intervenções estatais custosas justificadas na eliminação do risco sistémico; ou, por outro lado, devemos prejudicar a eficiência dos bancos, obrigando-os a internalizar a análise do risco associado a cada concessão de crédito ou produto de investimento e, desta forma tornando-os mais conscientes das suas decisões.
Mais tarde, desenvolvo as minhas ideias para que o mundo possa cumprir com a lei Dodd-Frank. Afinal de contas, não penso que seja assim tão prejudicial ao mundo financeiro viver conforme vivia antes de existirem as agências de rating.
7 de abril de 2011
Austeridade, o verdadeiro significado
http://www.youtube.com/watch?
Frases a reter:
- Os 40% mais pobres dos EUA não têm um aumento de salário real* desde 1979.
- O problema é a dívida existente, e é necessário reduzi-la dos balanços.
- A ressaca da austeridade não vai ser sentida de igual forma ao longo da linha de níveis de rendimento.
A actuação do FMI - ou o "Féf", é tudo igual... - a Portugal deve abster-se de provocar as consequências apresentadas no final do vídeo (3min50 para a frente). Ao invés, para não sofrermos de forma iníqua, o FMI deve tentar cortar ao máximo nas ineficiências, consumos intermédios e gastos excessivos do estado.
Espero desenvolver sobre estes cortes, pois considero ser a forma correcta de agir.
* Estagnação do salário real - Embora o valor do salário recebido aumente, se descontarmos o aumento do preço das coisas (a taxa de inflação), a quantidade de coisas que conseguimos comprar é a mesma.
Webinar sobre alternativas às Agencias de Rating
Como é natural, a SEC e todos os restantes reguladores dos EUA, estão com imensas dificuldades para apresentarem um modelo alternativo até à data limite imposta pela lei: 21 de Julho.
Com vista a contribuir na resolução deste desafio, a GARP irá apresentar um seminário via net onde se debaterá a questão e, espero, se apresentará possíveis soluções que dêem cumprimento à lei Dodd-Frank.
O seminário implica um registo gratuito aqui. Decorrerá na próxima terça-feira, pelas 16h (GMT), tendo a duração de 1 hora.
6 de abril de 2011
Previsão para Portugal (Abr.2012)
Na semana passada li um artigo de opinião muito bom, onde a Irlanda escrevia a Portugal alertando para o facto de estarmos a seguir todos os passos deles e, consequentemente, na iminência de solicitar ajuda externa (ver aqui - crédito ao Ricardo Lebres que me enviou o artigo).
As fontes de dificuldade das economias são distintas, mas é engraçado verificar o comportamento similar entre a classe política dos dois países.
No mesmo estilo, vou tentar prever o que acontecerá daqui a um ano tendo por base o modelo grego.
Eu sei, é difícil. Existe muita probabilidade de errar mas, afinal de contas, o mesmo acontece com as notações de rating e são levadas a sério ;)
Previsão para o espaço de tempo entre Jun.2011 e Abr.2012
Com a eleição do novo governo, serão anunciados défices esperados para 2011 muito acima do esperado.
O país ficará espantado mas todos os comentadores políticos estarão bastante confiantes que o novo governo tudo corrigirá.
Na prática, o FMI (ou o FEEF, a génese é a mesma) ditarão as políticas financeiras e o governo apenas dará a cara. Estas novas políticas de austeridade farão os PEC apresentados até agora parecer uma brincadeira de crianças.
Ora, austeridade pública num clima de dificuldade económica implica recessão. Recessão implica menos cobrança de impostos. Menos cobrança de impostos implica mais défice.
E depois?
Aí, os políticos, numa nova manobra quase circense, passam a referir que, em vez de termos de, respeitosamente, pagar as nossas obrigações (como ouvi até à exaustão hoje na RTP), não existe outra solução possível: é necessário renegociar a dívida.
Será? É esperar para ver.
UPDATE: Esta parece também ser a opinião de vários economistas, dos quais deixo aqui exemplo: Eichengreen, Rogoff, Economistas Alemães (carta aberta) e Ricardo Cabral - créditos a este último pelos links no The Portuguese Economy.
Editorial Jornal de Negócios
De há uns tempos para cá, os editoriais do Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios são sempre incisivos e pertinentes.
Para além disso, escreve muito bem!
Deixo uma citação deste último editorial:
"Demitir o Governo foi como calçar luvas de boxe para jogar mikado. Criminoso. Fatal. Imperdoável. "O interesse nacional foi sacrificado ao mais mesquinho interesse partidário", disse o senhor ontem. Nem mais. E há dez milhões de vítimas. Depois da crise insana, veio a chuva de descidas de "rating", a escalada dos juros, o escárnio externo para a nossa estupidez. Para a vossa estupidez."
Para ver mais, é só clicar aqui.
5 de abril de 2011
Agências de rating e as self-fulfilling expectations
Infelizmente, o modelo de regulamentação financeira assenta demasiado nas avaliações de risco destas agências.
Consequentemente, os intervenientes dos mercados financeiros internacionais fazem depender os seus investimentos destas notações externas (que se supõe isentas e idóneas).
Ora, o que mais me surpreende é o mundo se ter apercebido que a crise de 2008 foi causada, em parte, pelas agências de rating e, ter perdido a oportunidade de reformar, verdadeiramente, este modelo de regulamentação.
Não duvido que se tal tivesse ocorrido, os intervenientes dos mercados financeiros adaptariam as suas formas de investir e não mais se importariam com estas notações.
Agora, a Zona Euro, devido ao complexo das concepções anglo-saxónicas relativamente à forma de organização da economia europa continental, sofre com os downgrades dos seus membros mais frágeis: Portugal e Grécia. É certo que há muitos problemas nestas economias, mas pergunto se faz sentido que o rating da Grécia esteja abaixo do rating do Egipto. A este ritmo, mais duas semans e lá estaremos!
Devido a nada termos mudado na regulamentação no que respeita às agência de rating, os downgrades sucessivos da nossa república implica que os investidores percam a confiança no país. Tendo em conta que atingimos um endividamento elevado no combate à grave crise de 2008, um downgrade leva a maiores dificuldades de financiamento que levam a mais downgrades que levam a novas dificuldades de obtenção de financiamento.
É o exemplo clássico das self-fulfilling expectations mas no seu pior.
4 de abril de 2011
Dívida e crescimento
Aí vai um gráfico da dívida directa da República de Portugal, crédito ao theportugueseeconomy.

É pena não termos aqui o crescimento da dívida em valores absolutos pois seria mais simples para a minha argumentação.
Note-se que, por um lado, no período de 1975 a 1985 (pós-25 de Abril), o crescimento da dívida em % do PIB se deve aos enormes gastos no suporte ao desenvolvimento social do país. No entanto, a queda do PIB verificada, principalmente nos primeiros anos do período, ajuda substancialmente à verificação desta tendência.
Por outro lado, no período de 1985 a 1995, a dívida em % do PIB estagna. Importa lembrar que Portugal neste período cresce a ritmo impressionante com a ajuda dos fundos europeus, ou seja, a despesa do estado não deixou de crescer ao referido ritmo, necessariamente.
Tudo isto para concluir sobre a evolução da dívida de 2005 até hoje.
Mesmo com défices controlados em 2007 e 2008, o pobre crescimento verificado no período (recessão nos últimos anos) implicou que o rácio dívida/PIB tenha crescido exponencialmente.
Daí me pergunte se as medidas de austeridade que se adivinham com a ajuda internacional vêm solucionar o problema, principalmente o rácio dívida/PIB?
O que dizem ?